20/05/2026
Em entrevista a Equipe de Reportagem do SINTRAPEL-SP, o Presidente Aristides Filho (Ari)
comentou pontos importantes da Audiência Pública realizada no Palácio do Trabalhador no último dia 15 de maio, entre eles:
Fim da Escala 6 por 1, redução da jornada de trabalho sem redução de salário e o fortalecimento das negociações coletivas, confiram:
Reportagem SINTRAPEL-SP: No dia 15 de maio, no Palácio do Trabalhador, ocorreu a audiência
pública pelo Fim da Escala 6 por 1, com redução da jornada e sem redução salarial. O que achou dessa audiência pública e qual
a importância dela para esse debate, que já dura há bastante tempo, sobre o Fim da Escala 6 por 1?
Aristides Filho (Ari): Na minha opinião, foi um ato muito importante para os trabalhadores e
trabalhadoras de todo o Brasil. A proposta permite que o trabalhador tenha mais tempo livre para estudar, desfrutar de momentos
de lazer e conviver com a família. Com a redução da carga horária, a qualidade de vida melhora significativamente. Além disso,
o trabalhador produz mais. O empresariado sabe disso e diversos estudos comprovam essa realidade. Há empresas que antes adotavam
a escala 6 por 1 e passaram para o modelo 5 por 2. Durante esse período de adaptação e pesquisa, perceberam que a mudança foi
positiva tanto para a empresa quanto para os funcionários. O trabalhador fica mais satisfeito, mais motivado e, consequentemente,
produz muito mais.
Reportagem SINTRAPEL-SP: Você acredita que existe a possibilidade de a Escala 6 por 1
mudar para 5 por 2 na categoria papeleira? Ou a categoria já trabalha nesse modelo?
Aristides Filho (Ari): Na nossa categoria, do papel, papelão e artefatos, não trabalhamos na escala 6 por 1.
Nós temos convenção e acordo coletivo firmados junto à federação e aos demais sindicatos filiados, são 22 sindicatos ao todo, que
garantem uma jornada semanal de 42 horas. Mas sabemos que essa luta pelo fim da escala 6 por 1 vai beneficiar muito a classe trabalhadora.
A categoria papeleira já possui essa conquista histórica, renovada todos os anos por meio das negociações coletivas. É uma luta permanente
em defesa da qualidade de vida do trabalhador.
Reportagem SINTRAPEL-SP: Outro tema debatido durante a audiência pública foi a redução da jornada
sem redução salarial. O que você pensa sobre isso?
Aristides Filho (Ari): É fundamental! O trabalhador deve trabalhar menos horas, mas o salário não pode ser
reduzido de maneira alguma. O salário já é uma questão delicada para a maioria da população trabalhadora. Existem categorias que possuem
apenas o piso salarial e outras em que o trabalhador recebe salários diferenciados conforme o acordo interno das empresas e o tempo de serviço.
Por isso, o salário deve ser mantido e, na verdade, até ampliado, considerando o alto custo de vida que enfrentamos hoje, não apenas em
São Paulo, mas em todo o país. Segundo estudos do DIEESE, o salário-mínimo ideal deveria ser muito maior do que o atual. Portanto, defender
a redução da jornada sem redução salarial é defender dignidade e melhores condições de vida para os trabalhadores.
Reportagem SINTRAPEL-SP: Outra questão mencionada durante a audiência pública foi o fortalecimento das
negociações coletivas. Qual a sua avaliação sobre isso?
Aristides Filho (Ari): Eu considero isso extremamente positivo, porque fortalece o papel dos sindicatos
de cada categoria na negociação dos direitos dos trabalhadores. As negociações coletivas são fundamentais para garantir avanços e preservar
conquistas históricas da classe trabalhadora.
Reportagem SINTRAPEL-SP: Também foi mencionada a mobilização marcada para o dia 26 ou 27 de maio,
quando deverão ocorrer as votações das PECs relacionadas ao fim da escala 6 por 1 e à redução da jornada sem redução salarial. Qual a
importância dessa mobilização em Brasília?
Aristides Filho (Ari): Essa mobilização é extremamente importante. O SINTRAPEL-SP e toda a sua diretoria
estarão presentes em Brasília. Vamos dialogar com a federação e trabalhar para que todos os sindicatos filiados também participem dessa grande
mobilização nacional. Também precisamos conscientizar a juventude, especialmente muitos trabalhadores que hoje atuam como PJ e que, muitas vezes,
ainda não percebem os impactos que essas questões podem trazer para o futuro deles. É fundamental que todos estejam presentes e pressionem os
Deputados Federais para que votem favoravelmente ao Fim da Escala 6 por 1, à implementação da jornada 5 por 2, além da redução de jornada sem
redução de salário. Essa é uma luta em defesa da dignidade, da saúde e da qualidade de vida da classe trabalhadora brasileira.


